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Nem a chuva acabou com a alegria de Paul

Paul McCartney no Allianz Parque, em São Paulo (foto: Marcos Hermes/Midiorama)

Paul McCartney no Allianz Parque, em São Paulo (foto: Marcos Hermes/Midiorama)

Seria um trocadilho infame dizer que o show de Paul McCartney deixou todos de alma lavada? Sim. Mas raramente um trocadilho manjado como esse fez tanto sentido. Perdoa-se com facilidade exageros e lugares-comuns diante da alegria que o Beatle proporcionou aos fãs. Pois, sim, foi de alma lavada que eles deixaram o novo estádio do Palmeiras, na noite do dia 25, quase 26.

Antes da festa, porém, é preciso esperar por ela. Seria a melhor parte dela, segundo o dito popular. E a expectativa só cresceu nos 45 minutos de atraso do show. Perdoável, assim como o trocadilho.

Logo Paul despontava no primeiro palco montado sobre o gramado do Allianz Parque, na zona oeste de São Paulo. Seu sorriso só era maior que a empolgação dos fãs. Taí um caso de genuíno carisma no mundo musical. Carisma de verdade, não aquele fabricado, de sorrisos amarelos e falsa simpatia, tão comum em qualquer semicelebridade. Falo daquela carisma que só o tem os líderes naturais. Para seus seguidores, uma palavra tem força de ordem. Com uma sílaba, ele é capaz de convocar milhares de vozes para criar um imenso coro numa singela canção.

Paul só precisou fechar os olhos para carregar a multidão em “All my loving”. Percorreu “Let me Roll it” e “The long and winding road” com apoio maciço do público. Em “Let it be”, o clima solene fez o show parecer uma missa, tal era o respeito do público pela letra sagrada. Paralisados, quase com as mãos postas, os fãs só moviam os músculos da face para cantar o refrão a plenos pulmões.

Daí em diante o Beatle (sem esse papo de “ex” porque ser Beatle é que nem ser padre: não se perdem os votos jamais) provocou aquilo que se convencionou chamar de catarse coletiva. Nenhum ser vivo naquele estádio ficou imune ao som.

Para não dizer que não falei do set list, Paul não decepcionou. Estavam lá “Band on the run”, “Back in the URSS”, “Live and let Die”, “Yesterday”, “Helter Skelter”. Cada uma delas, ao seu estilo, era acompanhada com atenção, gritos e muitas capas de chuva.

Lembra do trocadilho infame? Pois então. A água molhava até os mais precavidos, munidos de capas, botas (?), bonés e afins. Tênis encharcado, calça pesada. Normal.

Nada disso importava. Éramos todos fiéis seguidores do líder Paul. E a chuva não nos abalava. Pelo contrário, enchia os olhos a chuva de fogos de “Live and Let Die” e a chuva de papel picado. E até a própria chuva chegava a encantar numa São Paulo preocupada com a seca. Só precisou de um Beatle na cidade para ver chuva de verdade – com o perdão da rima involuntária.

Porque música é alegria

Nem chuva, nem capa: fã se esbalda no show de Paul no Allianz Parque, em São Paulo (foto: Marcos Hermes/Midiorama)

Nem chuva, nem capa: fã se esbalda no show de Paul no Allianz Parque, em São Paulo (foto: Marcos Hermes/Midiorama)

Paul canta aquelas canções que todo mundo sabe a letra, ao menos o refrão. É popular, sim. Sem maiores sofisticações, mas nem por isso de menor valor. Fazer música popular é tão difícil quanto escrever um texto fácil de ler. Qualquer um que já assumiu esse risco conhece a dificuldade que é.

A música de Paul, e dos Beatles, é fácil, simples e adorável. O popular sem frescura, até sem letra, se puder. Os refrões de “Hey Jude” “Ob-la-di ob-la-da” estão aí para não deixar dúvidas. Esta talvez seja uma das músicas mais divertidas do cancioneiro ocidental. Os balões jogados ao público deram toque ainda mais especial ao hit.

Tal era o encantamento que seria impossível não levar para casa uma parte daquele show. A turma deixava o estádio assobiando os refrões mais famosos, a canção mais tocante, o sucesso mais querido entre tantos. A alegria era contagiante. Paul nos lembrou porque gostamos tanto de música.

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