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O Desafio do Balde de Gelo e Stephen Hawking

O que um balde de gelo poderia ter em comum com o cientista Stephen Hawking? E qual seria a relação entre centenas de vídeos de famosos vertendo água gelada na cabeça e o astrofísico? Tanto o viral do balde quanto o britânico lutam pela mesma causa: ajudar as pessoas portadoras da Esclerose Amiotrófica Lateral, também conhecida pela sigla ELA, a ter uma vida melhor.

O astrofísico britânico Stephen Hawking

O desafio, que rapidamente se espalhou pela internet, teve início em julho deste ano, quando Chris Kennedy, um jogador de golfe dos Estados Unidos, desafiou uma prima, cujo marido era portador da ELA, a tomar um banho de balde cheio de água e gelo em troca de uma doação em dinheiro para entidades que financiam pesquisas sobre a doença.

A ação foi filmada, caiu na rede e logo alcançou Pete Frates, jogador de beisebol diagnosticado com o problema há dois anos. Com ajuda de amigos, ele popularizou a ideia de fazer doações. O desafio ganhou definitivamente as redes sociais quando Mark Zuckerberg, criador do Facebook, entrou na onda e indicou Bill Gates para também levar o banho e fazer uma doação. Daí em diante o viral se estabeleceu e conquistou inúmeros adeptos pelo mundo todo, do primeiro-ministro da Itália a Neymar.

A ideia do balde de gelo faria referência ao choque da descoberta da ELA. Ouvir o diagnóstico da doença sem cura seria como levar um banho de água gelada na cabeça. Outra explicação diz que o gelo deixaria a pessoa paralisada, como acontece com as vítimas da ELA.

Aparentemente bobo, o desafio levantou nada menos que US$ 100 milhões em doações à ALS Association, maior referência na doença no mundo. No Brasil, onde a ELA atinge 1,5 paciente a cada 100 mil habitantes, o viral já arrecadou R$ 125 mil.

Stephen Hawking não participou da iniciativa. Mas ficou feliz pelo destaque que a doença ganhou ao redor do globo. De forma mais modesta, o britânico já vinha fazendo esforço para divulgar a causa há alguns anos. Ainda em 2009, ele se tornou patrono da Associação MND (Motor Neuron Disease, ou Disfunção dos Neurônios Motores), da Inglaterra.

Mesmo limitado a uma cadeira de rodas, sem poder mover braços e pernas, o físico aceitou emprestar seu nome à causa, além de participar de eventos para levantar fundos, palestras, entre outras ações de divulgação

Para portadores da doença, Hawking não se tornou um exemplo apenas pela iniciativa de ajudar. O britânico de 72 anos virou referência por driblar os obstáculos impostos pela rara doença e conseguir ter uma vida rica em grandes experiências – casou-se duas vezes e tem três filhos e três netos – e uma carreira bem-sucedida.

Ele foi diagnosticado com a ELA – também conhecida por Doença de Lou Gehrig e Doença do Neurônio Motor – em 1963, quando tinha apenas 21 anos. Desde então vem convivendo com as consequências da degeneração progressiva dos neurônios motores do cérebro e da medula espinhal. Em outras palavras, ele perdeu gradualmente os movimentos de pernas e braços, a fala, tem dificuldades para respirar, mas consegue controlar os movimentos oculares e os demais sentidos e mantém intacta sua brilhante inteligência e sua memória.

Hawking chama atenção não apenas pelo desenvolvimento que teve em sua carreira. Cientificamente, ele é um caso raro. Pelos padrões da doença, o portador da ELA tem previsão de no máximo cinco anos de vida após o diagnóstico. Raríssimos são aqueles que vivem por mais de 10 anos. O físico convive com a ELA há incríveis 51 anos.

Além disso, ele surpreendeu por ter desenvolvido a doença muito cedo, aos 21. Na média, os sintomas só começam a aparecer a partir dos 40. Como se quisesse fazer valer a pena o prolongamento de sua vida, Hawking se empenhou profissionalmente e obteve raro destaque na academia. Não por caso é considerado o físico mais brilhante desde Albert Einstein.

Não bastasse tudo isso, o britânico agora trabalha para ajudar outro cientista a criar um poderoso mecanismo, que pode ajudar muito as vítimas da ELA. Trata-se do iBrain, um sensor com uma refinada capacidade de interpretar as ondas eletromagnéticas produzidas pelo cérebro. Desenvolvido pelo neurocientista americano Philip Low, o iBrain faz a leitura das ondas e as traduz em movimentos.

No futuro, poderia transformar os pensamentos de Hawking diretamente em palavras, ao converter as ondas cerebrais em voz. O físico poderia também ditar textos para o computador, tudo através do pensamento. Seria uma versão muito aperfeiçoada do mecanismo tosco utilizado pelo protagonista do filme francês “O Escafandro e a Borboleta”. Na história, um jornalista perde os movimentos do corpo após um AVC e só consegue se comunicar com piscadas do olho esquerdo.

Hawking já começou a participar dos experimentos do iBrain. Se der certo, poderá ser mais uma grande contribuição do astrofísico, especialista em buracos negros e gravidade quântica, para o conhecimento humano. E poderá ajudar a viabilizar seu maior sonho: viajar até o espaço.

Stephen Hawking em ambiente de gravidade zero: o sonho ainda é conhecer o espaço

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