Deixe um comentário

Há 40 anos, o Senhor da Criatividade se despedia da Terra Média

John Ronald Reuel Tolkien (Haywood Magee/Getty Images)

Poucos escritores deixaram marca tão profunda na literatura moderna. J. R. R. Tolkien não se destacou pelo estilo sofisticado ou pela linguagem renovadora, feito de tantos autores clássicos. Passados 40 anos de sua morte, ele surpreendeu os leitores pelo seu potencial de criatividade aparentemente infindável na construção de uma saga riquíssima, que atravessa milênios de história fantástica, diversos livros e inúmeros rolos de filmes nos cinemas.

Tolkien se despediu do mundo que criou, a famosa Terra Média, em setembro de 1973.  Reconhecido em vida, foi considerado o pai da moderna literatura de fantasia. Mas foi só nos últimos anos que o escritor britânico fez sucesso massivo a partir do sucesso das adaptações de “O Senhor dos Anéis” para o cinema. Mais recentemente seu brilho voltou a despontar na mídia em razão da trilogia “O Hobbit” nas telonas.

Para muitos, o livro que originou o novo filme contém a essência de toda a criação de Tolkien: a narrativa fluida (apesar da riqueza de detalhes), as intermináveis árvores genealógicas dos personagens, as canções, a temática da busca pelo poder e pela riqueza e, principalmente, a aventura.

É esta última que move o leitor linha após linha nas páginas que contam a história do hobbit Bilbo Bolseiro na companhia de 13 destemidos anões e do mago Gandalf. Cada parágrafo reserva um obstáculo novo para a trupe na busca por desvendar os mistérios da Terra Média.

E cada lugarejo da Terra Média contém uma história própria de povos com riquíssima ancestralidade. Filhos, tios e sobrinhos de reis conquistadores são lembrados por seus descendentes em diversas canções. Assim, nas histórias de Tolkien não há apenas nomes. Mas sobrenomes, apelidos e características próprias. Há detalhes sobre o jeito de se vestir, de caminhar, de se portar.

Como um patinador no gelo, o escritor desliza com facilidade nas linhas de suas páginas, apresentando defeitos, manias, gostos e virtudes únicas de cada personagem, de humanos a dragões. A criatividade parece interminável. Tolkien é uma máquina de inventar classes de personagens, conquistas, batalhas, tradições de anões, elfos, criaturas da floresta.

Tudo isso sem ameaçar a narrativa agradável, um dos seus grandes méritos. Não é fácil apresentar cenários tão ricos – que fazem o leitor crer que realmente existe uma tal Terra Média – e leitura fluida ao mesmo tempo. Talvez seja essa a maior diferença para “O Senhor dos Anéis” e suas mais de mil páginas.

Em “O Hobbit”, lançado há exatos 76 anos, o narrador conversa com o leitor, antecipa informações e até brinca ao estragar uma ou outra surpresa. O diálogo com o escritor é constante, à semelhança de um avô que até muda o tom de voz ao narrar as passagens mais obscuras de uma história interessante ao curioso netinho.

Tolkien é um calejado contador de causos. E seu sucesso é prova de que crianças e adultos ainda anseiam por boas histórias.

Museu

Para destacar a obra do escritor, será aberto no dia 1 de outubro o primeiro museu dedicado à Terra Média. O Greisinger Museum, localizado na pequena cidade de Jenins, na Suíça, promete fazer o visitante se sentir dentro das obras de Tolkien.

Confira uma apresentação do local no vídeo abaixo (com legendas da equipe do site http://tolkienbrasil.com):

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: