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O Rush, o rock e o solo

Aconteceu em 2010. Alguns amigos comentaram por perto, fizeram planos e foram ao show. Depois me contaram empolgados todas as demonstrações de virtuosismo protagonizadas por um trio canadense no palco instalado sobre o gramado do Morumbi. Eu ouvi com dissimulada atenção. Não sabia quem eram esses “caras” do Rush.

rush

Rush: Alex Lifeson, Neil Peart e Geddy Lee

Um mês se passou e resolvi, finalmente, ter aulas de bateria. Descobri um bom professor perto da minha casa (e o blog dele está aqui) e passei a me arriscar com as baquetas na mão. Iniciei uma pesquisa insana no You Tube para desvendar os mistérios dos grandes sábios da batida. Queria tirar meu atraso. Afinal, são poucos os que decidem aprender bateira aos 25 anos. Não demorei para cruzar com o nome de Neil Peart nas buscas do Google.

Além de gênio, Neil tem uma história incrível de superação e é considerado o melhor baterista de rock do mundo. Depois de eleito o melhor do planeta por 7 anos consecutivos, tornou-se hour concours da premiação conhecida pela revista Modern Drummer. Vê-lo tocar é uma experiência arrebatadora. É uma mistura de admiração, respeito e raiva. Sim, raiva, porque dificilmente vou conseguir repetir aquelas impressionantes sequências de movimentos com apenas dois braços e duas pernas.

A ironia do episodio é que Neil Peart é baterista do Rush. E me tornei entusiasta do Rush um mês depois de eles virem tocar no Brasil, na mesma cidade em que eu morava. Perder o show do Rush era motivo de certa tristeza para mim até esta quinta-feira. Foi quando tive a oportunidade de ver um show cover da banca canadense a módicos 20 reais. Módicos porque eu me senti no próprio show do Rush.

Desnecessário dizer que o Rush Project é uma banca cover incrível. As semelhanças musicais são impressionantes. O sucesso podia ser medido pela resposta daqueles que estavam sentados nas mesas, em pé, escorados na parede, no fundo do bar, encostados no balcão. Sem qualquer sinalização dos músicos, o público iniciava as palmas, fazia coro nos raros refrões, vibrava com as notas mais desafiadoras. Até os comentários eram iguais. Parecia um roteiro combinado.

Assistir a um show do Rush, ou de um cover, é ver dezenas de homens fazendo movimentos inesperados com as mãos no ar, empunhando baquetas invisíveis e acertando tambores fantasmas. Ou levando a mão direita na direção da barriga, com movimentos repetitivos, como se fosse o responsável pelo solo que toma conta do ambiente. Quase uma ginástica laboral.

Assistir a um show do Rush é ver um bar lotado de homens e achar isso normal. Na noite de quinta, a proporção deveria estar em uma mulher para cada marmanjo. E contando as garçonetes. As poucas presentes conheciam as letras tão bem quanto os homens. Não se assustavam quando algum desavisado tentava emular a voz aguda de Geddy Lee, bem representada pelo vocalista Roger Troyjo.

Assistir a um show do Rush é se divertir sem replicar a dinâmica de um show de rock tradicional. Não há pulos (com exceção de YYZ, nos shows originais), rodinhas, gritos que vêm do fundo do pulmão. A diversão, que vai além da ginástica laboral, está na admiração de ver seres de carne e osso chegando a notas improváveis, sequências incríveis no braço do baixo e frases sem fim nos tambores.

O baterista Neil Peart e seus infinitos tambores

Foi com este espírito que vi o batera Vito Montanaro ter a petulância de reproduzir o famoso solo de Neil, em show comemorativo de 30 anos da banda, na Alemanha, em 2004. O solo ganhou fãs ao redor do globo e até motivou o baterista a produzir um DVD para esmiuçar seus movimentos aos iniciantes na bateria e fãs em geral.

Pois Montanaro se mostrou à altura do desafio e compensou minha ausência naquele show de 2010. Só sua coragem já fez valer a diversão. Valeu mais que o ingresso… Não foi só por 20 reais.

Ainda está curioso para ver o solo? Segure firme as baquetas invisíveis e aperte o play:

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