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O dia em que eu entrevistei Roger Federer

Federer em ação no Ibirapuera (foto de Rosane Bekierman - Inovafoto)

Federer em ação no Ibirapuera

Roger Federer é um incansável. Dentro e fora das quadras. Em São Paulo, onde disputou uma série de três jogos-exibição na semana passada, o suíço venceu duas das partidas e superou uma maratona de entrevistas, eventos promocionais de patrocinadores e sessões de autógrafos. Bateu bola com Gustavo Kuerten e Maria Esther Bueno, conheceu Pelé, visitou o Masp e o Mercadão e ainda comandou inúmeras clínicas de tênis com fãs e jornalistas.

Diante desta agenda lotada, o que ele menos fez foi descansar, em plenas férias, antes do início da pré-temporada de 2013. Mas, sem reclamar ou demonstrar abatimento depois de um ano recheado de competições, o suíço participou de mais de 20 ações de patrocinadores e, em nenhum momento, fugiu de autógrafos e fotos, até com repórteres.

Sua simpatia e paciência puderam ser conferidas de perto por este jornalista. Durante breves cinco minutos, pude conversar com aquele que é considerado por muitos o melhor tenista de todos os tempos. Acompanhado de outros três repórteres, em evento restrito, perguntei sobre Guga e Roland Garros, seu cansaço e futuro.

O solícito Federer respondeu a todas as perguntas, sem monossílabos. Sempre atencioso, ele olha nos olhos do interlocutor durante a entrevista, tentando perceber se o repórter captou suas ideias, mesmo diante de questões que já deve ter respondido repetidas vezes. Seu biógrafo, René Stauffer, acredita que o tenista seja o atleta que mais tenha dado entrevistas no mundo.

E, mesmo quando é questionado sobre seu possível cansaço, após 14 anos de circuito profissional, Federer reforça sua vitalidade. “Quando você viaja pelo mundo, é normal ficar cansado às vezes. O importante é se recuperar rapidamente, comer bem, dormir o suficiente, cuidar do corpo. Há momentos para descanso e para treino. Este é o segredo da longevidade. Quero jogar por muitos anos ainda”, avisou o suíço, diante da minha pergunta sobre seu futuro.

No Brasil pela primeira vez, Federer iniciou sua maratona ainda na madrugada de quarta-feira, dia 5, ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, acompanhado do pai, Robert. Posou para as primeiras fotos, com um sorriso no rosto, ainda carregando o carrinho com suas malas.

Clínica com crianças (Marcello Zambrana - Inovafoto)

Clínica com crianças no Ibirapuera

Na mesma quarta, o suíço já entrou em quadra para fazer a primeira clínica em solo brasileiro, com crianças carentes. À noite, trocou as roupas de treino por traje mais formal no jantar que abriu o Gillette Federer Tour – estima-se que tenha embolsado cerca de R$ 20 milhões para a série de seis exibições, na América do Sul.  “Eu quero viver a experiência completa. Não queria vir aqui apenas para dormir, treinar e jogar. Isso não é interessante para mim”, diz o suíço.

No dia seguinte, o empolgado Federer deu suas primeiras entrevistas na apresentação do Tour, que contou com outras estrelas, como Maria Sharapova, Serena Williams, Victoria Azarenka e Jo-Wilfried Tsonga. Protagonista do evento, ele foi alvo da maior parte das perguntas. Respondeu a todas, com direito a brincadeiras e até a uma rápida sessão de barbear, para divulgar os produtos do seu patrocinador.

Da zona oeste da capital, rumou para o centro da cidade, onde pôde conhecer o tradicional sanduíche de mortadela, no Mercadão Municipal. Apesar do tumulto, causado por sua visita, Federer experimentou ainda diversas frutas, além do também famoso bolinho de bacalhau. “Gosto de sair, conhecer pessoas, interagir com os fãs, provar frutas, se for o caso”, diz, entre risadas. “É por isso que estou aqui”.

À noite, Federer fez, enfim, sua estreia em uma quadra brasileira, no Ginásio do Ibirapuera. Mostrou bom tênis, mas cometeu erros que acabaram levando à derrota diante de Bellucci por 2 sets a 1. Ao fim da cansativa partida, realizada sob forte calor no Ibirapuera, não se incomodou em despender alguns minutos para atender os fãs. Era quase 1 hora da manhã quando entrou para dar a entrevista coletiva pós-jogo. “Bom dia”, disse aos jornalistas, sem perder o bom humor.

No dia seguinte, não escondeu o cansaço. “À 1h30 da manhã, ainda estava voltando para o hotel. Eu estava cansado”, admitiu o tenista, de 31 anos. “Mas não importa. Quero aproveitar o momento. Cada dia é um novo dia e você nunca sabe o que pode acontecer depois”, afirmou.

Bate bola com Guga e Maria Esther Bueno (foto de Gaspar Nóbrega - Inovafoto)

Super encontro de 27 títulos de Grand Slam em simples

Futebol, calor e bom humor

Às 11 horas de sexta, estava de pé para jogar futebol com crianças na Comunidade Peinha, na zona sul de São Paulo. Logo em seguida, usou um helicóptero para percorrer o longo trajeto, de cerca de 45 minutos de carro, para voltar ao Ibirapuera.

Cerca de 50 fãs, entre crianças e adultos, já esperavam o suíço para um bate-bola na quadra. Cumprida a tarefa, realizada ao lado dos irmãos Bryan, Federer se encaminhou, ainda suado, para mais uma sequência de entrevistas.

Diante das câmeras, o suíço respondia bem-humorado questões de repórteres chilenos e peruanos. Do jornalista do Peru, ganhou de presente um gorro típico de seu país. E, sem hesitar, vestiu-o sobre os cabelos ainda úmidos e sorriu para os cinegrafistas.

O ambiente ganhou em descontração com a chegada de dois grandes convidados: Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten. Na informal reunião de 27 títulos de Grand Slam em torneios de simples, eles fizeram brincadeiras, deram entrevistas, posaram para fotos e até arriscaram alguns golpes na quadra.

E Federer, conhecido por quase não transpirar durante os jogos, suava mais uma vez no Ibirapuera. Durante o duelo contra Bellucci, chegou a trocar de camisa três vezes. Na sexta-feira, precisou atrasar alguns compromissos para se recuperar da perda excessiva de líquido. “Vimos que ele é homem, até ficou suado aqui”, brincou Guga.

Federer e Pelé (foto do acervo de Pelé)

Reunião de duas lendas do esporte

De ídolo a fã

O calor voltou a incomodar quando Federer, vestindo um casaco da seleção brasileira, bateu bola com Serena Williams debaixo do sol, ao lado do vão do Masp, na quente manhã de sábado. O “sofrimento” pelo calor foi compensado por um encontro especial com Pelé. Após almoço na casa do Rei do Futebol, o tenista assumiu papel de fã e bateu fotos com seu ídolo da infância. “Foi uma honra”, declarou.

De volta ao Ibirapuera, o suíço levantou o público ao fazer grande apresentação contra Tsonga. Federer compensou a vibração da torcida com belos golpes em quadra e muita paciência para atender os fãs, que não se intimidavam com os 12 seguranças que acompanhavam o tenista. “É ótimo estar aqui. Me considero um cara sortudo por ter esta oportunidade”, afirmou o recordista de títulos de Grand Slam, dono de 17 troféus.

Federer faz homenagem à seleção brasileira (foto de Ricardo Valarini - Inovafoto)

Federer faz homenagem à seleção

Já era 1 hora da manhã quando o suíço percorreu toda a grade que o separava do público, com cerca de 30 metros de extensão, para assinar bolinhas, camisas, bonés e bater fotos com os fãs. Um deles se surpreendeu quando o suíço pegou a máquina fotográfica de sua mão, estendeu-a no alto e posou ao seu lado para fazer a imagem. Ainda conferiu o resultado antes de devolvê-la ao fã. “Ficou ótima”, disse o tenista.

E, sem aparentar um mínimo cansaço, Federer voltou à quadra no domingo para vencer o alemão Tommy Haas, com quem chegou a jogar futebol em quadra, ambos com a camisa da seleção brasileira. “Mal posso esperar para voltar para cá”, declarou o suíço. Antes de deixar o Brasil, o tenista realizou mais um de seus objetivos ao visitar a América do Sul: conheceu as Cataratas de Foz do Iguaçu, no Paraná.

2 comentários em “O dia em que eu entrevistei Roger Federer

  1. Parabéns pelo sucesso sobrinho.. o céu é o limite.. estamos torcendo pelo teu futuro..

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